Publicado por: revictal | 19/05/2010

Publicado por: revictal | 10/02/2010

Cativa do deserto

Aquela que foi e não voltou,
que se desfez dos que não estão presentes,
e que foi embora sem dar tchau.

Cativa do deserto,
a única aceita pela poeira,
casca – grossa do caralho.
Herdou de Jesus,
o grande cinismo de perguntar (seja pra quem for)
“a quem procuras tu?”
E a malediscência do capeta,
quando grita;
“o azar é todo seu!”
 
A cativa do deserto,
ecoa para si,
todas as maldades…
que ficaram bem longe de você.
Camilla Lopes 4/09/2007
Publicado por: revictal | 10/02/2010

Cheiro sincero

Aqui está uma comida êfemera
então nem como nada.
De fato.
Porque
os carinhos de um homem
são (talvez) a mistura de proteção
e tesão. Tão acessíveis,
quanto açafrão em Unganda.
E quem molha a calcinha e não diz nada,
nunca terá acesso a honestidade
que têm os cheiros
das melhores comidas.
As comidas e seus cheiros sinceros.
Como aquele que saiu
do meio das minhas pernas,
no dia em que eu quis,
comer alguma coisa,
não – convencional,
algo que fosse,
sincero.
Tão acessível,
quanto Coentro no Alasca.

Camilla Lopes 17/02/2008

Publicado por: revictal | 09/02/2010

sufoco

sufoco

“Cercada pela cidade

Pelos carros

Pelo concreto

Que me impedem de ver o mar.

Cercada pela correria

Letargia

Pela pobreza

Incerteza dessa esquina.

Essa rua que me cerca

Depois dessa curva incerta

Onde vai dar?
Deserto de concreto povoado

É o que se há de alcançar

Sigo em frente,

dobro a esquina,

Não me permito esperar.

Vou com a passeata do tempo,

No embalo desse vento

Que não me deixa descansar.

Quero árvores e horizonte

Silêncio, mato, fonte.

Quero um canto para pensar.”

Manu Rangel – 28/02/2008

Publicado por: revictal | 09/02/2010

Proposta

Proposta

“Vem viver teu sonho comigo

Te mostrarei que o arco-íris tem muito mais do que sete cores.

E quem diz nessa vida que existem muitos amores

É porque ainda não me viu contigo

Nas esquinas, nas ruas, nas rodas

Que giram pelo mesmo motivo, no mesmo lugar.

Vem sonhar tua vida comigo!

Senta do meu lado,

Ouça o que eu te falo e não te digo:

Me deixa ser teu sonho, teu castigo.

Quero ser tua vida, tua vontade sonhada.

Deixa eu ser tua gargalhada,

Teu sonho realizado.

Vem viver tua vida ao meu lado,

Comigo.

Dorme e acorda, sonha comigo.

Me deixa pisar na tua estrada, mostrar o caminho.

Deixa eu te fazer um carinho

E, quem sabe, um café.

Dorme e acorda comigo.

Sonha comigo!

Faça de mim a tua mulher.”

Manu Rangel – 3/5/2008

Publicado por: revictal | 09/02/2010

Fascínio (Affonso Romano de Sant’Anna)

Fascínio (Affonso Romano de Sant’Anna)

 Casado, continuo a achar as mulheres irresistíveis.

Não deveria, dizem.

 Me esforço. Aliás, já nem me esforço.

Abertamente me ponho a admirá-las.

Não estrou traindo ninguém, advirto.

Como pode o amor trair o amor?

Amar o amor num outro amor é um ritual que, amante, me permito.

Publicado por: revictal | 09/02/2010

Ausência

Ausência (Carlos Drummond de Andrade)

Por muito tempo achei que a ausência é falta.
E lastimava, ignorante, a falta.
Hoje não a lastimo.
Não há falta na ausência.
A ausência é um estar em mim.
E sinto-a, branca, tão pegada, aconchegada nos meus braços,
que rio e danço e invento exclamações alegres,
porque a ausência, essa ausência assimilada,
ninguém a rouba mais de mim.

Publicado por: revictal | 09/02/2010

O que somos – Renata Fern

O que somos

Será possível um verso falar do meu ser em poesia?
Exultar minhas letras preferidas?
Será possível o reverso falar do teu ser em prosa?
Esparr(amar) tuas letras nas nossas linhas?
Será possível o anverso falar de nós dois num conto só?
Exibir nossas letras em crônica?
Será preciso escrever para entendermos a poesia
Que somos juntos?


(Renata Fern, 18/10/07)

Publicado por: revictal | 09/02/2010

A solidão vista por Vinícius

A maior solidão é a do ser que não ama. A maior solidão é a dor do ser que se ausenta, que se defende, que se fecha, que se recusa a participar da vida humana.

A maior solidão é a do homem encerrado em si mesmo, no absoluto de si mesmo, o que não dá a quem pede o que ele pode dar de amor, de amizade, de socorro.

O maior solitário é o que tem medo de amar, o que tem medo de ferir e ferir-se, o ser casto da mulher, do amigo, do povo, do mundo. Esse queima como uma lâmpada triste, cujo reflexo entristece também tudo em torno. Ele é a angústia do mundo que o reflete. Ele é o que se recusa às verdadeiras fontes de emoção, as que são o patrimônio de todos, e, encerrado em seu duro privilégio, semeia pedras do alto de sua fria e desolada torre.

Vinícius de Moraes

Publicado por: revictal | 12/11/2009

Saudade…

“Saudade é um pouco como fome. Só passa quando se come a presença. Mas às vezes a saudade é tão profunda que a presença é pouco: quer-se absorver a outra pessoa toda. Essa vontade de um ser o outro para uma unificação inteira é um dos sentimentos mais urgentes que se tem na vida.”

Clarice Lispector

Publicado por: revictal | 12/11/2009

As Sem – Razões do Amor

As Sem – Razões do Amor

Carlos Drummond de Andrade

Eu te amo porque te amo.
Não precisas ser amante,
E nem sempre sabes sê-lo.
Eu te amo porque te amo.
Amor é estado de graça
E com amor não se paga.

Amor é dado de graça
É semeado no vento,
Na cachoeira, no eclipse.
Amor foge a dicionários
E a regulamentos vários.

Eu te amo porque não amo
Bastante ou demais a mim.
Porque amor não se troca,
Não se conjuga nem se ama.
Porque amor é amor a nada,
Feliz e forte em si mesmo.

Amor é primo da morte,
E da morte vencedor,
Por mais que o matem (e matam)
A cada instante de amor.

Publicado por: revictal | 17/07/2009

Minha Partida, de Ábia Marpin

Lembro um dia ter me ido

Lembro com clareza
Pois da janela de que me avistava
O sol radiava
Cortando o espelho
no antes, no enquanto, no depois

Aguardo a minha volta
Tocaio meu redor sem pistas
Com o tempo da vigília
Meus passos também partiram

Devo ter cochilado

Quero dormir profunda
E despertar com um sorriso
cândido, em meu rosto.

01 de julho de 2009

Publicado por: revictal | 08/07/2009

Ao contrário

Ao contrário, de Bruna Talarico

Dois sexos
Duas fodas
Madrugada indecorosa
De paralvras sem nexo
Água pra lavar a alma
Feridas pra marcar o corpo
Com vermelho dorso
De invertida calma
Dor de investido pranto
Por falta de entendimento
Perdeu-se o bom momento
De viver o lindo encanto
Vida que não foi vivida
Coração de partido semblante
Marca de sol no dedo
É a lembrança do antigo amante

Publicado por: revictal | 07/07/2009

Outro concurso

Caros, a prefeitura de Belo Horizonte lançou o Concurso Nacional de Literatura com o prêmio “Cidade de Belo Horizonte”, que este ano contempla três categorias Ensaio, Poesia – Autor Estreante, Dramaturgia e o prêmio “João-de-Barro”, destinado à literatura infantil. As inscrições estão abertas e podem ser feitas até o dia 07 de agosto. Os esclarecimentos de dúvidas poderão ser obtidos pelo e-mail: concursos.fmc2009@pbh.gov.br, com assunto Concurso Literário

Outras informações aqui

Publicado por: revictal | 06/07/2009

FLAP

Mora em SP ou pode ir para lá esta semana? Então não perca a FLAP, um festival de poesia alternativo. Este ano, eles irão discutir os Vinte Anos de Muro através da proposta: a poesia não apenas como artefato artístico, mas como voz política em toda a sua extensão. Bacana né? Quer conferir a programação? Clique aqui

Publicado por: revictal | 02/07/2009

Você

Você, de Renata Victal

O corpo longo e grande me abraça, me aquece, me afaga 

Seus pêlos, seu cheiro, a respiração que sempre me faz pensar que tu tens algo a dizer

Será que tem? Sei lá, Tu é misterioso demais

Sua boca, seu beijo

Me conquista, me enlouquece

Queria ser um neurônio e desfilar entre seus pensamentos

O que passa pela sua cabeça? O que diz seu olhar penetrante?

Queria ser uma hemácia e circular pelo seu coração?

Por quem ele bate, afinal? Impossível saber…

Publicado por: revictal | 02/07/2009

Por onde andará?

Por onde andará?, de Renata Victal

Tempo fechado, nuvens carregadas

E, aqui dentro, as horas que não passam

De alguma forma, me fazem lembrar você

Por onde andará?

O que estás a fazer?

Sentes falta de mim?

Carência, eu sei. De tudo

Do cheiro, do beijo, do aperto

Por onde andará?

O riso,  o olhar

O choro, o aperto

Por onde andará?

Por onde andará?

Publicado por: revictal | 01/07/2009

Concurso !!!!

Olha que bacana,  a Canon anunciou o II Prêmio Literário Canon de Poesia. A idéia é revelar novos talentos, promover a literatura e difundir a impressão digital de livros no país. Neste ano, o tema para desenvolvimento dos trabalhos é livre.

Uma comissão julgadora, composta por profissionais de renomado prestígio literário, vai eleger os 50 melhores textos, que serão reunidos e publicados pelo editorial Fábrica de Livros / Scortecci Editora. Cada vendedor receberá dez exemplares da obra e contará ainda com a divulgação e promoção da antologia pela Canon em suas ações de Marketing e Propaganda, no período de um ano.

 As inscrições podem ser feitas de 1º de julho, até o dia 15 de setembro de 2009 no endereço: http://www.concursosliterarios.com.br.

Outrs informações  pelo email: premiocanon@concursosliterarios.com.br.

Vamos participar?

Publicado por: revictal | 22/06/2009

Beijo sem amor

Beijo sem amor, de Renata Victal

Um passo, mesmo que ao largo, é um passo
Um abraço, mesmo que frouxo, é um abraço
Mas, e o beijo sem amor, o que é?

É dor sem fim
É buraco sem fundo
É boi sem pasto
É flor sem cor
É casa sem chão
É o nada

(19/06/2009)

Publicado por: revictal | 22/06/2009

Você é esse abraço na alma

Você é esse abraço na alma, de Paulo Ramos

você é simplesmente assim
estética como jardim
é tudo que não pode ir
senão perde-se o sorrir

você é esse abraço na alma
é esse fogo que entusiasma
todo sabor na vida

você é sem fim
mesmo se amanhã o fim
você coabita na continuidade
depois da idade

você é simplesmente, simplesmente… não sei…

Publicado por: revictal | 22/06/2009

Saramago

“Meu blog não tem ideias em particular. Os sismógrafos não escolhem os terremotos, reagem com os que vão ocorrendo. O blog é isso: um sismógrafo. Quem me lê sabe que pode encontrar a cada dia algo totalmente inesperado. A prática do blog levou a escrita a muitas pessoas que antes pouco ou nada escreviam. Pena que muitas não se preocupem com o estilo. O resultado é que se está escrevendo cada vez mais, e… pior. O blog é um espaço para a reflexão, e não deve surpreender que ilumine a quem escreve.”, Saramago

Publicado por: revictal | 22/06/2009

Aflição

Aflição, de Renata Victal 

As horas passam lentas e você está longe

O dia turvo não ajuda em nada

Tenho sonhos, muitos, e eles estão todos misturados

Uns são repaginados. Não sabia que isso seria possível, mas é

Troquei uns sonhos, por outros

Melhor, troquei apenas sujeitos

Minha cabeça está congestionada

A aflição é inevitável

O que virá agora? O que esperar?

Futuro dá medo

Sim, o medo se faz presente

Me deixa confusa

Queria adivinhar o futuro

Saber minha sorte todos os dias

Aliás, sorte, será que tenho?

Que aflição

(22/06/2009)

Publicado por: revictal | 18/06/2009

Eu sou In

 Eu sou In, de Renata Victal

 Inigualável

Inimaginável

Inverossímel

Incomparável

Incompreensível

 (19/06/2009)

Publicado por: revictal | 18/06/2009

Beijo

Beijo, de Renata Victal

 Seu beijo é elástico

É como o tempo

Breve como um suspiro

 Seu beijo me tira o ar

Me deixa tonta

Fico louca

Me perco em seus longos braços

 Seu beijo me arrasta

Me leva

Me tira daqui

 Seu beijo…

 (18/06/2008)

Publicado por: revictal | 18/06/2009

Eu quero

Eu quero, de Renata Victal 

Quero novos sonhos

Leves

Coloridos

Grandiosos

 Quero novos amigos

Breves

Divertidos

Amorosos

 Quero muitas viagens

Quero muitos amores

Quero sem dores

Quero sabores

Eu quero

(junho/2009)

Publicado por: revictal | 18/06/2009

Mudar

Mudar, de Renata Victal

 Meu amor não me quer mais

Me trocou

Como uma roupa suja, me largou no chão

Achou outra

Pensa que esta lhe veste melhor

Fazer o que?

Chorar?

Espernear?

Surtar?

Nada disso! Eu vou é viver!

Viver os dias nublados

Viver até mesmo os dias amargos

Viver, apenas viver

To com sede

To com sono

To cansada

Mas é preciso viver

É preciso

(agosto de 2006)

Publicado por: revictal | 18/06/2009

Amor de 1,90 m

Amor de 1,90 m, de Renata Victal

 Uma fila, um olhar

Um gole d´ água, um beijo

Um aperto, um cheiro

Um abraço, um amor

Presente fora de hora

Surpresa mais que na hora

Felicidade ímpar

Ter a ti como par

(18/06/2009)

Publicado por: revictal | 18/06/2009

Cansaço

Cansaço , de Bianca Senna

O que era pra ser triste

Lágrima

Solidão

É cansaço

O que era pra ser desânimo

Desespero

Tormento

É cansaço 

Por ter o sol em Câncer

E o ascendente em Áries

Por ser morena

Por ser mulher

Cansa ter o mesmo nome

A mesma casa

A mesma pele

A mesma roupa 

Cansa viver num mundo

Tão demente

Cansa demais

Demasiadamente

Cansa, cansa, cansa, cansa…

Repetir que é cansaço

E não saber como me livrar dele 

(22 de fevereiro de 2003)

Publicado por: revictal | 18/06/2009

O POEMA DO SEMELHANTE

O POEMA DO SEMELHANTE  , de Elisa Lucinda

O Deus da parecença

que nos costura em igualdade

que nos papel-carboniza

em sentimento

que nos pluraliza

que nos banaliza

por baixo e por dentro,

foi este Deus que deu

destino aos meus versos, 

Foi Ele quem arrancou deles

a roupa de indivíduo

e deu-lhes outra de indivíduo

ainda maior, embora mais justa. 

Me assusta e acalma

ser portadora de várias almas

de um só som comum eco

ser reverberante

espelho, semelhante

ser a boca

ser a dona da palavra sem dono

de tanto dono que tem. 

Esse Deus sabe que alguém é apenas

o singular da palavra multidão

É mundão

todo mundo beija

todo mundo almeja

todo mundo deseja

todo mundo chora

alguns por dentro

alguns por fora

alguém sempre chega

alguém sempre demora. 

O Deus que cuida do

não-desperdício dos poetas

deu-me essa festa

de similitude

bateu-me no peito do meu amigo

encostou-me a ele

em atitude de verso beijo e umbigos,

extirpou de mim o exclusivo:

a solidão da bravura

a solidão do medo

a solidão da usura

a solidão da coragem

a solidão da bobagem

a solidão da virtude

a solidão da viagem

a solidão do erro

a solidão do sexo

a solidão do zelo

a solidão do nexo. 

O Deus soprador de carmas

deu de eu ser parecida

Aparecida

santa

puta

criança

deu de me fazer

diferente

pra que eu provasse

da alegria

de ser igual a toda gente 

Esse Deus deu coletivo

ao meu particular

sem eu nem reclamar

Foi Ele, o Deus da par-essência

O Deus da essência par. 

Não fosse a inteligência

da semelhança

seria só o meu amor

seria só a minha dor

bobinha e sem bonança

seria sozinha minha esperança

Publicado por: revictal | 18/06/2009

Martha

Eis um belo poema de Martha Medeiros:

eu te amo, mas quero viver sozinha

eu não te amo, mas preciso dormir com alguém

eu te amo, mas sonho em ter outros homens

eu não te amo, mas quero ter um filho

eu te amo, mas não posso prometer nada

eu não te amo, mas prefiro jantar acompanhada

eu te amo, mas preciso fazer uma viagem

eu não te amo, mas me cobram uma companhia

eu te amo, mas não sei amar

eu não te amo, mas queria 
 

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