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Cativa do deserto
Cativa do deserto, a única aceita pela poeira, casca – grossa do caralho.
Herdou de Jesus, o grande cinismo de perguntar (seja pra quem for) “a quem procuras tu?”
E a malediscência do capeta, quando grita; “o azar é todo seu!” A cativa do deserto, ecoa para si, todas as maldades… que ficaram bem longe de você.
Publicado em Camilla Lopes | Tags:Cativa do deserto
Cheiro sincero
Camilla Lopes 17/02/2008
Publicado em Camilla Lopes | Tags:Cheiro sincero
sufoco
sufoco
“Cercada pela cidade
Pelos carros
Pelo concreto
Que me impedem de ver o mar.
Cercada pela correria
Letargia
Pela pobreza
Incerteza dessa esquina.
Essa rua que me cerca
Depois dessa curva incerta
Onde vai dar?
Deserto de concreto povoado
É o que se há de alcançar
Sigo em frente,
dobro a esquina,
Não me permito esperar.
Vou com a passeata do tempo,
No embalo desse vento
Que não me deixa descansar.
Quero árvores e horizonte
Silêncio, mato, fonte.
Quero um canto para pensar.”
Manu Rangel – 28/02/2008
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Proposta
Proposta
“Vem viver teu sonho comigo
Te mostrarei que o arco-íris tem muito mais do que sete cores.
E quem diz nessa vida que existem muitos amores
É porque ainda não me viu contigo
Nas esquinas, nas ruas, nas rodas
Que giram pelo mesmo motivo, no mesmo lugar.
Vem sonhar tua vida comigo!
Senta do meu lado,
Ouça o que eu te falo e não te digo:
Me deixa ser teu sonho, teu castigo.
Quero ser tua vida, tua vontade sonhada.
Deixa eu ser tua gargalhada,
Teu sonho realizado.
Vem viver tua vida ao meu lado,
Comigo.
Dorme e acorda, sonha comigo.
Me deixa pisar na tua estrada, mostrar o caminho.
Deixa eu te fazer um carinho
E, quem sabe, um café.
Dorme e acorda comigo.
Sonha comigo!
Faça de mim a tua mulher.”
Manu Rangel – 3/5/2008
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Fascínio (Affonso Romano de Sant’Anna)
Fascínio (Affonso Romano de Sant’Anna)
Casado, continuo a achar as mulheres irresistíveis.
Não deveria, dizem.
Me esforço. Aliás, já nem me esforço.
Abertamente me ponho a admirá-las.
Não estrou traindo ninguém, advirto.
Como pode o amor trair o amor?
Amar o amor num outro amor é um ritual que, amante, me permito.
Publicado em Affonso Romano de Sant'Anna
Ausência
Ausência (Carlos Drummond de Andrade)
Por muito tempo achei que a ausência é falta.
E lastimava, ignorante, a falta.
Hoje não a lastimo.
Não há falta na ausência.
A ausência é um estar em mim.
E sinto-a, branca, tão pegada, aconchegada nos meus braços,
que rio e danço e invento exclamações alegres,
porque a ausência, essa ausência assimilada,
ninguém a rouba mais de mim.
Publicado em Carlos Drummond de Andrade | Tags:ausência
O que somos – Renata Fern
O que somos
Será possível um verso falar do meu ser em poesia?
Exultar minhas letras preferidas?
Será possível o reverso falar do teu ser em prosa?
Esparr(amar) tuas letras nas nossas linhas?
Será possível o anverso falar de nós dois num conto só?
Exibir nossas letras em crônica?
Será preciso escrever para entendermos a poesia
Que somos juntos?
(Renata Fern, 18/10/07)
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A solidão vista por Vinícius
A maior solidão é a do ser que não ama. A maior solidão é a dor do ser que se ausenta, que se defende, que se fecha, que se recusa a participar da vida humana.
A maior solidão é a do homem encerrado em si mesmo, no absoluto de si mesmo, o que não dá a quem pede o que ele pode dar de amor, de amizade, de socorro.
O maior solitário é o que tem medo de amar, o que tem medo de ferir e ferir-se, o ser casto da mulher, do amigo, do povo, do mundo. Esse queima como uma lâmpada triste, cujo reflexo entristece também tudo em torno. Ele é a angústia do mundo que o reflete. Ele é o que se recusa às verdadeiras fontes de emoção, as que são o patrimônio de todos, e, encerrado em seu duro privilégio, semeia pedras do alto de sua fria e desolada torre.
Vinícius de Moraes
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Saudade…
“Saudade é um pouco como fome. Só passa quando se come a presença. Mas às vezes a saudade é tão profunda que a presença é pouco: quer-se absorver a outra pessoa toda. Essa vontade de um ser o outro para uma unificação inteira é um dos sentimentos mais urgentes que se tem na vida.”
Clarice Lispector
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As Sem – Razões do Amor
As Sem – Razões do Amor
Carlos Drummond de Andrade
Eu te amo porque te amo.
Não precisas ser amante,
E nem sempre sabes sê-lo.
Eu te amo porque te amo.
Amor é estado de graça
E com amor não se paga.
Amor é dado de graça
É semeado no vento,
Na cachoeira, no eclipse.
Amor foge a dicionários
E a regulamentos vários.
Eu te amo porque não amo
Bastante ou demais a mim.
Porque amor não se troca,
Não se conjuga nem se ama.
Porque amor é amor a nada,
Feliz e forte em si mesmo.
Amor é primo da morte,
E da morte vencedor,
Por mais que o matem (e matam)
A cada instante de amor.
Publicado em Carlos Drummond de Andrade | Tags:Carlos Drummond de Andrade
Minha Partida, de Ábia Marpin
Lembro um dia ter me ido
Lembro com clareza
Pois da janela de que me avistava
O sol radiava
Cortando o espelho
no antes, no enquanto, no depois
Aguardo a minha volta
Tocaio meu redor sem pistas
Com o tempo da vigília
Meus passos também partiram
Devo ter cochilado
Quero dormir profunda
E despertar com um sorriso
cândido, em meu rosto.
01 de julho de 2009
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Ao contrário
Ao contrário, de Bruna Talarico
Dois sexos
Duas fodas
Madrugada indecorosa
De paralvras sem nexo
Água pra lavar a alma
Feridas pra marcar o corpo
Com vermelho dorso
De invertida calma
Dor de investido pranto
Por falta de entendimento
Perdeu-se o bom momento
De viver o lindo encanto
Vida que não foi vivida
Coração de partido semblante
Marca de sol no dedo
É a lembrança do antigo amante
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Outro concurso
Caros, a prefeitura de Belo Horizonte lançou o Concurso Nacional de Literatura com o prêmio “Cidade de Belo Horizonte”, que este ano contempla três categorias Ensaio, Poesia – Autor Estreante, Dramaturgia e o prêmio “João-de-Barro”, destinado à literatura infantil. As inscrições estão abertas e podem ser feitas até o dia 07 de agosto. Os esclarecimentos de dúvidas poderão ser obtidos pelo e-mail: concursos.fmc2009@pbh.gov.br, com assunto Concurso Literário
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FLAP
Mora em SP ou pode ir para lá esta semana? Então não perca a FLAP, um festival de poesia alternativo. Este ano, eles irão discutir os Vinte Anos de Muro através da proposta: a poesia não apenas como artefato artístico, mas como voz política em toda a sua extensão. Bacana né? Quer conferir a programação? Clique aqui
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Você
Você, de Renata Victal
O corpo longo e grande me abraça, me aquece, me afaga
Seus pêlos, seu cheiro, a respiração que sempre me faz pensar que tu tens algo a dizer
Será que tem? Sei lá, Tu é misterioso demais
Sua boca, seu beijo
Me conquista, me enlouquece
Queria ser um neurônio e desfilar entre seus pensamentos
O que passa pela sua cabeça? O que diz seu olhar penetrante?
Queria ser uma hemácia e circular pelo seu coração?
Por quem ele bate, afinal? Impossível saber…
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Por onde andará?
Por onde andará?, de Renata Victal
Tempo fechado, nuvens carregadas
E, aqui dentro, as horas que não passam
De alguma forma, me fazem lembrar você
Por onde andará?
O que estás a fazer?
Sentes falta de mim?
Carência, eu sei. De tudo
Do cheiro, do beijo, do aperto
Por onde andará?
O riso, o olhar
O choro, o aperto
Por onde andará?
Por onde andará?
Publicado em Renata Victal
Concurso !!!!
Olha que bacana, a Canon anunciou o II Prêmio Literário Canon de Poesia. A idéia é revelar novos talentos, promover a literatura e difundir a impressão digital de livros no país. Neste ano, o tema para desenvolvimento dos trabalhos é livre.
Uma comissão julgadora, composta por profissionais de renomado prestígio literário, vai eleger os 50 melhores textos, que serão reunidos e publicados pelo editorial Fábrica de Livros / Scortecci Editora. Cada vendedor receberá dez exemplares da obra e contará ainda com a divulgação e promoção da antologia pela Canon em suas ações de Marketing e Propaganda, no período de um ano.
As inscrições podem ser feitas de 1º de julho, até o dia 15 de setembro de 2009 no endereço: http://www.concursosliterarios.com.br.
Outrs informações pelo email: premiocanon@concursosliterarios.com.br.
Vamos participar?
Publicado em Uncategorized | Tags:concurso literário
Beijo sem amor
Beijo sem amor, de Renata Victal
Um passo, mesmo que ao largo, é um passo
Um abraço, mesmo que frouxo, é um abraço
Mas, e o beijo sem amor, o que é?
É dor sem fim
É buraco sem fundo
É boi sem pasto
É flor sem cor
É casa sem chão
É o nada
(19/06/2009)
Publicado em Renata Victal | Tags:amor, Beijo
Você é esse abraço na alma
Você é esse abraço na alma, de Paulo Ramos
você é simplesmente assim
estética como jardim
é tudo que não pode ir
senão perde-se o sorrir
você é esse abraço na alma
é esse fogo que entusiasma
todo sabor na vida
você é sem fim
mesmo se amanhã o fim
você coabita na continuidade
depois da idade
você é simplesmente, simplesmente… não sei…
Publicado em Uncategorized | Tags:abraço, alma, jardim
Saramago
“Meu blog não tem ideias em particular. Os sismógrafos não escolhem os terremotos, reagem com os que vão ocorrendo. O blog é isso: um sismógrafo. Quem me lê sabe que pode encontrar a cada dia algo totalmente inesperado. A prática do blog levou a escrita a muitas pessoas que antes pouco ou nada escreviam. Pena que muitas não se preocupem com o estilo. O resultado é que se está escrevendo cada vez mais, e… pior. O blog é um espaço para a reflexão, e não deve surpreender que ilumine a quem escreve.”, Saramago
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Aflição
Aflição, de Renata Victal
As horas passam lentas e você está longe
O dia turvo não ajuda em nada
Tenho sonhos, muitos, e eles estão todos misturados
Uns são repaginados. Não sabia que isso seria possível, mas é
Troquei uns sonhos, por outros
Melhor, troquei apenas sujeitos
Minha cabeça está congestionada
A aflição é inevitável
O que virá agora? O que esperar?
Futuro dá medo
Sim, o medo se faz presente
Me deixa confusa
Queria adivinhar o futuro
Saber minha sorte todos os dias
Aliás, sorte, será que tenho?
Que aflição
(22/06/2009)
Publicado em Renata Victal, Uncategorized | Tags:Aflição
Eu sou In
Eu sou In, de Renata Victal
Inigualável
Inimaginável
Inverossímel
Incomparável
Incompreensível
(19/06/2009)
Publicado em Renata Victal
Beijo
Beijo, de Renata Victal
Seu beijo é elástico
É como o tempo
Breve como um suspiro
Seu beijo me tira o ar
Me deixa tonta
Fico louca
Me perco em seus longos braços
Seu beijo me arrasta
Me leva
Me tira daqui
Seu beijo…
(18/06/2008)
Publicado em Renata Victal | Tags:Beijo
Eu quero
Eu quero, de Renata Victal
Quero novos sonhos
Leves
Coloridos
Grandiosos
Quero novos amigos
Breves
Divertidos
Amorosos
Quero muitas viagens
Quero muitos amores
Quero sem dores
Quero sabores
Eu quero
(junho/2009)
Publicado em Renata Victal | Tags:amor, dor, quero, sabor
Mudar
Mudar, de Renata Victal
Meu amor não me quer mais
Me trocou
Como uma roupa suja, me largou no chão
Achou outra
Pensa que esta lhe veste melhor
Fazer o que?
Chorar?
Espernear?
Surtar?
Nada disso! Eu vou é viver!
Viver os dias nublados
Viver até mesmo os dias amargos
Viver, apenas viver
To com sede
To com sono
To cansada
Mas é preciso viver
É preciso
(agosto de 2006)
Publicado em Renata Victal | Tags:amor, Mudar, troca
Amor de 1,90 m
Amor de 1,90 m, de Renata Victal
Uma fila, um olhar
Um gole d´ água, um beijo
Um aperto, um cheiro
Um abraço, um amor
Presente fora de hora
Surpresa mais que na hora
Felicidade ímpar
Ter a ti como par
(18/06/2009)
Publicado em Renata Victal | Tags:amor
Cansaço
Cansaço , de Bianca Senna
O que era pra ser triste
Lágrima
Solidão
É cansaço
O que era pra ser desânimo
Desespero
Tormento
É cansaço
Por ter o sol em Câncer
E o ascendente em Áries
Por ser morena
Por ser mulher
Cansa ter o mesmo nome
A mesma casa
A mesma pele
A mesma roupa
Cansa viver num mundo
Tão demente
Cansa demais
Demasiadamente
Cansa, cansa, cansa, cansa…
Repetir que é cansaço
E não saber como me livrar dele
(22 de fevereiro de 2003)
Publicado em Bianca Senna | Tags:cansaço, lágrima, mulher, solidão
O POEMA DO SEMELHANTE
O POEMA DO SEMELHANTE , de Elisa Lucinda
O Deus da parecença
que nos costura em igualdade
que nos papel-carboniza
em sentimento
que nos pluraliza
que nos banaliza
por baixo e por dentro,
foi este Deus que deu
destino aos meus versos,
Foi Ele quem arrancou deles
a roupa de indivíduo
e deu-lhes outra de indivíduo
ainda maior, embora mais justa.
Me assusta e acalma
ser portadora de várias almas
de um só som comum eco
ser reverberante
espelho, semelhante
ser a boca
ser a dona da palavra sem dono
de tanto dono que tem.
Esse Deus sabe que alguém é apenas
o singular da palavra multidão
É mundão
todo mundo beija
todo mundo almeja
todo mundo deseja
todo mundo chora
alguns por dentro
alguns por fora
alguém sempre chega
alguém sempre demora.
O Deus que cuida do
não-desperdício dos poetas
deu-me essa festa
de similitude
bateu-me no peito do meu amigo
encostou-me a ele
em atitude de verso beijo e umbigos,
extirpou de mim o exclusivo:
a solidão da bravura
a solidão do medo
a solidão da usura
a solidão da coragem
a solidão da bobagem
a solidão da virtude
a solidão da viagem
a solidão do erro
a solidão do sexo
a solidão do zelo
a solidão do nexo.
O Deus soprador de carmas
deu de eu ser parecida
Aparecida
santa
puta
criança
deu de me fazer
diferente
pra que eu provasse
da alegria
de ser igual a toda gente
Esse Deus deu coletivo
ao meu particular
sem eu nem reclamar
Foi Ele, o Deus da par-essência
O Deus da essência par.
Não fosse a inteligência
da semelhança
seria só o meu amor
seria só a minha dor
bobinha e sem bonança
seria sozinha minha esperança
Publicado em Elisa Lucinda | Tags:Deus, semelhante, sentimento
Martha
Eis um belo poema de Martha Medeiros:
eu te amo, mas quero viver sozinha
eu não te amo, mas preciso dormir com alguém
eu te amo, mas sonho em ter outros homens
eu não te amo, mas quero ter um filho
eu te amo, mas não posso prometer nada
eu não te amo, mas prefiro jantar acompanhada
eu te amo, mas preciso fazer uma viagem
eu não te amo, mas me cobram uma companhia
eu te amo, mas não sei amar
eu não te amo, mas queria
Publicado em Uncategorized | Tags:amor
