Saudade…
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As Sem – Razões do Amor
As Sem – Razões do Amor
Carlos Drummond de Andrade
Eu te amo porque te amo.
Não precisas ser amante,
E nem sempre sabes sê-lo.
Eu te amo porque te amo.
Amor é estado de graça
E com amor não se paga.
Amor é dado de graça
É semeado no vento,
Na cachoeira, no eclipse.
Amor foge a dicionários
E a regulamentos vários.
Eu te amo porque não amo
Bastante ou demais a mim.
Porque amor não se troca,
Não se conjuga nem se ama.
Porque amor é amor a nada,
Feliz e forte em si mesmo.
Amor é primo da morte,
E da morte vencedor,
Por mais que o matem (e matam)
A cada instante de amor.
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Minha Partida, de Ábia Marpin
Lembro um dia ter me ido
Lembro com clareza
Pois da janela de que me avistava
O sol radiava
Cortando o espelho
no antes, no enquanto, no depois
Aguardo a minha volta
Tocaio meu redor sem pistas
Com o tempo da vigília
Meus passos também partiram
Devo ter cochilado
Quero dormir profunda
E despertar com um sorriso
cândido, em meu rosto.
01 de julho de 2009
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Ao contrário
Ao contrário, de Bruna Talarico
Dois sexos
Duas fodas
Madrugada indecorosa
De paralvras sem nexo
Água pra lavar a alma
Feridas pra marcar o corpo
Com vermelho dorso
De invertida calma
Dor de investido pranto
Por falta de entendimento
Perdeu-se o bom momento
De viver o lindo encanto
Vida que não foi vivida
Coração de partido semblante
Marca de sol no dedo
É a lembrança do antigo amante
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Outro concurso
Caros, a prefeitura de Belo Horizonte lançou o Concurso Nacional de Literatura com o prêmio “Cidade de Belo Horizonte”, que este ano contempla três categorias Ensaio, Poesia – Autor Estreante, Dramaturgia e o prêmio “João-de-Barro”, destinado à literatura infantil. As inscrições estão abertas e podem ser feitas até o dia 07 de agosto. Os esclarecimentos de dúvidas poderão ser obtidos pelo e-mail: concursos.fmc2009@pbh.gov.br, com assunto Concurso Literário
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FLAP
Mora em SP ou pode ir para lá esta semana? Então não perca a FLAP, um festival de poesia alternativo. Este ano, eles irão discutir os Vinte Anos de Muro através da proposta: a poesia não apenas como artefato artístico, mas como voz política em toda a sua extensão. Bacana né? Quer conferir a programação? Clique aqui
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Você
Você, de Renata Victal
O corpo longo e grande me abraça, me aquece, me afaga
Seus pêlos, seu cheiro, a respiração que sempre me faz pensar que tu tens algo a dizer
Será que tem? Sei lá, Tu é misterioso demais
Sua boca, seu beijo
Me conquista, me enlouquece
Queria ser um neurônio e desfilar entre seus pensamentos
O que passa pela sua cabeça? O que diz seu olhar penetrante?
Queria ser uma hemácia e circular pelo seu coração?
Por quem ele bate, afinal? Impossível saber…
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Por onde andará?
Por onde andará?, de Renata Victal
Tempo fechado, nuvens carregadas
E, aqui dentro, as horas que não passam
De alguma forma, me fazem lembrar você
Por onde andará?
O que estás a fazer?
Sentes falta de mim?
Carência, eu sei. De tudo
Do cheiro, do beijo, do aperto
Por onde andará?
O riso, o olhar
O choro, o aperto
Por onde andará?
Por onde andará?
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Concurso !!!!
Olha que bacana, a Canon anunciou o II Prêmio Literário Canon de Poesia. A idéia é revelar novos talentos, promover a literatura e difundir a impressão digital de livros no país. Neste ano, o tema para desenvolvimento dos trabalhos é livre.
Uma comissão julgadora, composta por profissionais de renomado prestígio literário, vai eleger os 50 melhores textos, que serão reunidos e publicados pelo editorial Fábrica de Livros / Scortecci Editora. Cada vendedor receberá dez exemplares da obra e contará ainda com a divulgação e promoção da antologia pela Canon em suas ações de Marketing e Propaganda, no período de um ano.
As inscrições podem ser feitas de 1º de julho, até o dia 15 de setembro de 2009 no endereço: http://www.concursosliterarios.com.br.
Outrs informações pelo email: premiocanon@concursosliterarios.com.br.
Vamos participar?
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Beijo sem amor
Beijo sem amor, de Renata Victal
Um passo, mesmo que ao largo, é um passo
Um abraço, mesmo que frouxo, é um abraço
Mas, e o beijo sem amor, o que é?
É dor sem fim
É buraco sem fundo
É boi sem pasto
É flor sem cor
É casa sem chão
É o nada
(19/06/2009)
Publicado em Renata Victal | Tags:amor, Beijo
Você é esse abraço na alma
Você é esse abraço na alma, de Paulo Ramos
você é simplesmente assim
estética como jardim
é tudo que não pode ir
senão perde-se o sorrir
você é esse abraço na alma
é esse fogo que entusiasma
todo sabor na vida
você é sem fim
mesmo se amanhã o fim
você coabita na continuidade
depois da idade
você é simplesmente, simplesmente… não sei…
Publicado em Uncategorized | Tags:abraço, alma, jardim
Saramago
“Meu blog não tem ideias em particular. Os sismógrafos não escolhem os terremotos, reagem com os que vão ocorrendo. O blog é isso: um sismógrafo. Quem me lê sabe que pode encontrar a cada dia algo totalmente inesperado. A prática do blog levou a escrita a muitas pessoas que antes pouco ou nada escreviam. Pena que muitas não se preocupem com o estilo. O resultado é que se está escrevendo cada vez mais, e… pior. O blog é um espaço para a reflexão, e não deve surpreender que ilumine a quem escreve.”, Saramago
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Aflição
Aflição, de Renata Victal
As horas passam lentas e você está longe
O dia turvo não ajuda em nada
Tenho sonhos, muitos, e eles estão todos misturados
Uns são repaginados. Não sabia que isso seria possível, mas é
Troquei uns sonhos, por outros
Melhor, troquei apenas sujeitos
Minha cabeça está congestionada
A aflição é inevitável
O que virá agora? O que esperar?
Futuro dá medo
Sim, o medo se faz presente
Me deixa confusa
Queria adivinhar o futuro
Saber minha sorte todos os dias
Aliás, sorte, será que tenho?
Que aflição
(22/06/2009)
Publicado em Renata Victal, Uncategorized | Tags:Aflição
Eu sou In
Eu sou In, de Renata Victal
Inigualável
Inimaginável
Inverossímel
Incomparável
Incompreensível
(19/06/2009)
Publicado em Renata Victal
Beijo
Beijo, de Renata Victal
Seu beijo é elástico
É como o tempo
Breve como um suspiro
Seu beijo me tira o ar
Me deixa tonta
Fico louca
Me perco em seus longos braços
Seu beijo me arrasta
Me leva
Me tira daqui
Seu beijo…
(18/06/2008)
Publicado em Renata Victal | Tags:Beijo
Eu quero
Eu quero, de Renata Victal
Quero novos sonhos
Leves
Coloridos
Grandiosos
Quero novos amigos
Breves
Divertidos
Amorosos
Quero muitas viagens
Quero muitos amores
Quero sem dores
Quero sabores
Eu quero
(junho/2009)
Publicado em Renata Victal | Tags:amor, dor, quero, sabor
Mudar
Mudar, de Renata Victal
Meu amor não me quer mais
Me trocou
Como uma roupa suja, me largou no chão
Achou outra
Pensa que esta lhe veste melhor
Fazer o que?
Chorar?
Espernear?
Surtar?
Nada disso! Eu vou é viver!
Viver os dias nublados
Viver até mesmo os dias amargos
Viver, apenas viver
To com sede
To com sono
To cansada
Mas é preciso viver
É preciso
(agosto de 2006)
Publicado em Renata Victal | Tags:amor, Mudar, troca
Amor de 1,90 m
Amor de 1,90 m, de Renata Victal
Uma fila, um olhar
Um gole d´ água, um beijo
Um aperto, um cheiro
Um abraço, um amor
Presente fora de hora
Surpresa mais que na hora
Felicidade ímpar
Ter a ti como par
(18/06/2009)
Publicado em Renata Victal | Tags:amor
Cansaço
Cansaço , de Bianca Senna
O que era pra ser triste
Lágrima
Solidão
É cansaço
O que era pra ser desânimo
Desespero
Tormento
É cansaço
Por ter o sol em Câncer
E o ascendente em Áries
Por ser morena
Por ser mulher
Cansa ter o mesmo nome
A mesma casa
A mesma pele
A mesma roupa
Cansa viver num mundo
Tão demente
Cansa demais
Demasiadamente
Cansa, cansa, cansa, cansa…
Repetir que é cansaço
E não saber como me livrar dele
(22 de fevereiro de 2003)
Publicado em Bianca Senna | Tags:cansaço, lágrima, mulher, solidão
O POEMA DO SEMELHANTE
O POEMA DO SEMELHANTE , de Elisa Lucinda
O Deus da parecença
que nos costura em igualdade
que nos papel-carboniza
em sentimento
que nos pluraliza
que nos banaliza
por baixo e por dentro,
foi este Deus que deu
destino aos meus versos,
Foi Ele quem arrancou deles
a roupa de indivíduo
e deu-lhes outra de indivíduo
ainda maior, embora mais justa.
Me assusta e acalma
ser portadora de várias almas
de um só som comum eco
ser reverberante
espelho, semelhante
ser a boca
ser a dona da palavra sem dono
de tanto dono que tem.
Esse Deus sabe que alguém é apenas
o singular da palavra multidão
É mundão
todo mundo beija
todo mundo almeja
todo mundo deseja
todo mundo chora
alguns por dentro
alguns por fora
alguém sempre chega
alguém sempre demora.
O Deus que cuida do
não-desperdício dos poetas
deu-me essa festa
de similitude
bateu-me no peito do meu amigo
encostou-me a ele
em atitude de verso beijo e umbigos,
extirpou de mim o exclusivo:
a solidão da bravura
a solidão do medo
a solidão da usura
a solidão da coragem
a solidão da bobagem
a solidão da virtude
a solidão da viagem
a solidão do erro
a solidão do sexo
a solidão do zelo
a solidão do nexo.
O Deus soprador de carmas
deu de eu ser parecida
Aparecida
santa
puta
criança
deu de me fazer
diferente
pra que eu provasse
da alegria
de ser igual a toda gente
Esse Deus deu coletivo
ao meu particular
sem eu nem reclamar
Foi Ele, o Deus da par-essência
O Deus da essência par.
Não fosse a inteligência
da semelhança
seria só o meu amor
seria só a minha dor
bobinha e sem bonança
seria sozinha minha esperança
Publicado em Elisa Lucinda | Tags:Deus, semelhante, sentimento
Martha
Eis um belo poema de Martha Medeiros:
eu te amo, mas quero viver sozinha
eu não te amo, mas preciso dormir com alguém
eu te amo, mas sonho em ter outros homens
eu não te amo, mas quero ter um filho
eu te amo, mas não posso prometer nada
eu não te amo, mas prefiro jantar acompanhada
eu te amo, mas preciso fazer uma viagem
eu não te amo, mas me cobram uma companhia
eu te amo, mas não sei amar
eu não te amo, mas queria
Publicado em Uncategorized | Tags:amor
Para além do bem e do mal,
Para além do bem e do mal, de Pedro Ivo Rogedo
Aceso, apagado, aceso, apagado
Intermitente
Estado do meio que não se sustenta
Aceso, apagado, aceso, apagado
Bing, bing, bing
Repetições anacrônicas
de versos que não mais são atuais
Atualizados à exaustão
Então, sendo assim,
volta ao início
Pax
Pax
Libera me Domine, de morte aeterna, in die illa tremenda
(quando coeli, movendi sunt et terra)
Cantou-se uma vez
Numa língua morta
Para os mortos
Pelos mortos
Aceso, apagado, aceso, apagado
preso num mar de ignorância
causada de forma retroativa
Ativa para algumas coisas
Relativa para outras
Aceso, apagado, aceso, apagado
Intermitente,
É o estado do meio que não se sustenta
E que vá ao inferno Aristóteles
E apenas sobre seu tratado sobre a Comédia
Que, da Poética, é exatamente aquilo que não sobrou
Aceso, apagado, apagado, apagado
Outrora intermitente
Estado do meio que agora deve desaparecer
Requiem, requiem, requiem
Publicado em Pedro Ivo Rogedo | Tags:Intermitente, Repetições anacrônicas
Quero fazer contigo o que a primavera faz com as cerejeiras
Quero fazer contigo o que a primavera faz com as cerejeiras, de Natalia von Korsch
Pediram-me um poema, pensei em cerejas
Naquelas que derretem na boca
que enfeitam os drinks
que me lembram você
o gosto que não me desgosta
de tua cereja em meus lábios
clamando por mim
rogando a ti
me lambe, me chupe, me coma
clamando, rogando, chupando
penso em você
mudei o pronome, e daí?
você mudou de mim
para ela, para ele
quem sabe?
só sei que eu não sei mais de ti
e sua cereja, vai bem?
Publicado em Natalia von Korsch | Tags:cerejas
Ao Peso Dele
Ao Peso Dele, de Bianca Senna
Sinto em mim
O que de tão vazio
Parece invisível
O que de tão leve
Parece algodão
O que de tão pequeno
Parece um grão
O que de tão intenso
Parece um vulcão
Nasceu pra ser batida
E vive no silêncio
Nasceu pra ser inteiro
E vive pela metade
Nasceu vermelho
E vive preto
No escuro
Do meu interior
E mesmo assim
Eu o sinto
Mesmo não me servindo
(7 de julho de 2003)
Publicado em Bianca Senna | Tags:Bianca Senna
Saudade
Saudade, Renata Victal
E foi assim, quando ela menos esperava o telefone tocou.
A hora era a mais improvável.
Cedo, para ele. Madrugada, para ela.
Rotinas diferentes. Vidas diferentes.
Separadas, mas confusas.
Ambas.
Apesar do tempo, o sofrimento ainda podia ser sentido por ela.
De forma discreta, é verdade, quase que imperceptível.
Até que a ligação, inesperada trouxe à tona.
O que? Tudo!
Mas tudo o que?
Medo, amor, raiva, angústia, saudade.
Saudade do que?
Dos bons e dos maus momentos.
Da voz
Do abraço
Do beijo
Do conforto
Do aperto no peito.
Saudade do tempo que ficou pra trás… feliz.
Saudade dos sonhos desfeitos
Saudade do que não foi vivido
Saudade…. apenas saudade
Publicado em Renata Victal | Tags:Renata Victal, saudade
Angústia
Angústia, Renata Victal
Dois meses… lá se foram dois meses. Nem vi.
Passou rápido, é verdade, mas não foi indolor.
O que o tempo trouxe?
Gostaria de dizer que foi serenidade, mas não posso mentir.
O tempo trouxe angústia:
A angústia da dúvida
A angústia do que poderia ter sido, mas não foi
A angustia pelo nada… pelo tudo
Gostaria de desejar não sonhar mais… jamais
Quem sabe assim seria mais feliz
Mas não dá, eu sei
É preciso encarar os fatos, os malfadados fatos
Encarar o amadurecimento, mesmo que seja a fórceps
Porque o fato é que não dava mais
Pra nenhum dos dois
Nem pra mim, nem pra ele
Fomos ao limite
Ou melhor, ultrapassamos o limite
Vivemos o incompreensível
O sempre contestado. Por todos
Vivemos de forma intensa uma paixão segura
Segura, mas apenas dentro do ninho
Nas quatro paredes
Longe de tudo
Longe do mundo
Vivemos… vivemos…. na redoma do meu quarto
Mas vivemos…
Publicado em Renata Victal | Tags:angústia, Renata Victal
O Velho
O Velho, de Chico Buarque
O velho sem conselhos
De joelhos
De partida
Carrega com certeza
Todo o peso
Da sua vida
Então eu lhe pergunto pelo amor
A vida inteira, diz que se guardou
Do carnaval, da brincadeira
Que ele não brincou
Me diga agora
O que é que eu digo ao povo
O que é que tem de novo
Pra deixar
Nada
Só a caminhada
Longa, pra nenhum lugar
O velho de partida
Deixa a vida
Sem saudades
Sem dívidas, sem saldo
Sem rival
Ou amizade
Então eu lhe pergunto pelo amor
Ele me diz que sempre se escondeu
Não se comprometeu
Nem nunca se entregou
E diga agora
O que é que eu digo ao povo
O que é que tem de novo
Pra deixar
Nada
E eu vejo a triste estrada
Onde um dia eu vou parar
O velho vai-se agora
Vai-se embora
Sem bagagem
Não se sabe pra que veio
Foi passeio
Foi Passagem
Então eu lhe pergunto pelo amor
Ele me é franco
Mostra um verso manco
De um caderno em branco
Que já se fechou
Me diga agora
O que é que eu digo ao povo
O que é que tem de novo
Pra deixar
Não
Foi tudo escrito em vão
E eu lhe peço perdão
Mas não vou lastimar
Publicado em Chico Buarque | Tags:Chico Buarque
Divagando
Outra do amigo Leonardo Sales: divagando
DIVAGAR DEVAGAR
DEVAGAR DIVAGAR
DEVAGARDIVAGAR
DE VAGAR
DE
VA
GAR
Publicado em Uncategorized | Tags:Leonardo Sales
dra mim – pra mim
E eis que o blog já recebeu uma colaboração. Esta poesia é do leitor e amigo Leonardo Sales. Aproveite !
dra mim – pra mim
Uma lança enferrujada atravessa minhas têmporas.
A dor é tão insuportável que não começo a sangrar
Sinais de trânsito se misturam aos rostos medonhos e disformes à minha volta
Sirene, sirene… chove com força lá fora
O relógio da catedral badala seis horas
É noite, é frio
Meu vazio oco dói quando penso
Que estou esvaindo pelo tempo
É tão sufocante que não consigo fechar os olhos
E esperar o tempo passar
É estar preso em uma cela sem livro
Sem vidro pra me cortar
Começo a girar e me vejo assando
Grelhado para meia dúzia de gatos pingados
Que pingam e respingam na bacia de bronze
Um barulho que reverbera
Um absurdo
Publicado em Uncategorized | Tags:Leonardo Sales
A esperança
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A esperança, de Augusto dos Anjos A Esperança não murcha, ela não cansa, Muita gente infeliz assim não pensa; Mocidade, portanto, ergue o teu grito, E eu, que vivo atrelado ao desalento, |
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