Publicado por: revictal | 17/07/2009

Minha Partida, de Ábia Marpin

Lembro um dia ter me ido

Lembro com clareza
Pois da janela de que me avistava
O sol radiava
Cortando o espelho
no antes, no enquanto, no depois

Aguardo a minha volta
Tocaio meu redor sem pistas
Com o tempo da vigília
Meus passos também partiram

Devo ter cochilado

Quero dormir profunda
E despertar com um sorriso
cândido, em meu rosto.

01 de julho de 2009

Publicado por: revictal | 08/07/2009

Ao contrário

Ao contrário, de Bruna Talarico

Dois sexos
Duas fodas
Madrugada indecorosa
De paralvras sem nexo
Água pra lavar a alma
Feridas pra marcar o corpo
Com vermelho dorso
De invertida calma
Dor de investido pranto
Por falta de entendimento
Perdeu-se o bom momento
De viver o lindo encanto
Vida que não foi vivida
Coração de partido semblante
Marca de sol no dedo
É a lembrança do antigo amante

Publicado por: revictal | 07/07/2009

Outro concurso

Caros, a prefeitura de Belo Horizonte lançou o Concurso Nacional de Literatura com o prêmio “Cidade de Belo Horizonte”, que este ano contempla três categorias Ensaio, Poesia – Autor Estreante, Dramaturgia e o prêmio “João-de-Barro”, destinado à literatura infantil. As inscrições estão abertas e podem ser feitas até o dia 07 de agosto. Os esclarecimentos de dúvidas poderão ser obtidos pelo e-mail: concursos.fmc2009@pbh.gov.br, com assunto Concurso Literário

Outras informações aqui

Publicado por: revictal | 06/07/2009

FLAP

Mora em SP ou pode ir para lá esta semana? Então não perca a FLAP, um festival de poesia alternativo. Este ano, eles irão discutir os Vinte Anos de Muro através da proposta: a poesia não apenas como artefato artístico, mas como voz política em toda a sua extensão. Bacana né? Quer conferir a programação? Clique aqui

Publicado por: revictal | 02/07/2009

Você

Você, de Renata Victal

O corpo longo e grande me abraça, me aquece, me afaga 

Seus pêlos, seu cheiro, a respiração que sempre me faz pensar que tu tens algo a dizer

Será que tem? Sei lá, Tu é misterioso demais

Sua boca, seu beijo

Me conquista, me enlouquece

Queria ser um neurônio e desfilar entre seus pensamentos

O que passa pela sua cabeça? O que diz seu olhar penetrante?

Queria ser uma hemácia e circular pelo seu coração?

Por quem ele bate, afinal? Impossível saber…

Publicado por: revictal | 02/07/2009

Por onde andará?

Por onde andará?, de Renata Victal

Tempo fechado, nuvens carregadas

E, aqui dentro, as horas que não passam

De alguma forma, me fazem lembrar você

Por onde andará?

O que estás a fazer?

Sentes falta de mim?

Carência, eu sei. De tudo

Do cheiro, do beijo, do aperto

Por onde andará?

O riso,  o olhar

O choro, o aperto

Por onde andará?

Por onde andará?

Publicado por: revictal | 01/07/2009

Concurso !!!!

Olha que bacana,  a Canon anunciou o II Prêmio Literário Canon de Poesia. A idéia é revelar novos talentos, promover a literatura e difundir a impressão digital de livros no país. Neste ano, o tema para desenvolvimento dos trabalhos é livre.

Uma comissão julgadora, composta por profissionais de renomado prestígio literário, vai eleger os 50 melhores textos, que serão reunidos e publicados pelo editorial Fábrica de Livros / Scortecci Editora. Cada vendedor receberá dez exemplares da obra e contará ainda com a divulgação e promoção da antologia pela Canon em suas ações de Marketing e Propaganda, no período de um ano.

 As inscrições podem ser feitas de 1º de julho, até o dia 15 de setembro de 2009 no endereço: http://www.concursosliterarios.com.br.

Outrs informações  pelo email: premiocanon@concursosliterarios.com.br.

Vamos participar?

Publicado por: revictal | 22/06/2009

Beijo sem amor

Beijo sem amor, de Renata Victal

Um passo, mesmo que ao largo, é um passo
Um abraço, mesmo que frouxo, é um abraço
Mas, e o beijo sem amor, o que é?

É dor sem fim
É buraco sem fundo
É boi sem pasto
É flor sem cor
É casa sem chão
É o nada

(19/06/2009)

Publicado por: revictal | 22/06/2009

Você é esse abraço na alma

Você é esse abraço na alma, de Paulo Ramos

você é simplesmente assim
estética como jardim
é tudo que não pode ir
senão perde-se o sorrir

você é esse abraço na alma
é esse fogo que entusiasma
todo sabor na vida

você é sem fim
mesmo se amanhã o fim
você coabita na continuidade
depois da idade

você é simplesmente, simplesmente… não sei…

Publicado por: revictal | 22/06/2009

Saramago

“Meu blog não tem ideias em particular. Os sismógrafos não escolhem os terremotos, reagem com os que vão ocorrendo. O blog é isso: um sismógrafo. Quem me lê sabe que pode encontrar a cada dia algo totalmente inesperado. A prática do blog levou a escrita a muitas pessoas que antes pouco ou nada escreviam. Pena que muitas não se preocupem com o estilo. O resultado é que se está escrevendo cada vez mais, e… pior. O blog é um espaço para a reflexão, e não deve surpreender que ilumine a quem escreve.”, Saramago

Publicado por: revictal | 22/06/2009

Aflição

Aflição, de Renata Victal 

As horas passam lentas e você está longe

O dia turvo não ajuda em nada

Tenho sonhos, muitos, e eles estão todos misturados

Uns são repaginados. Não sabia que isso seria possível, mas é

Troquei uns sonhos, por outros

Melhor, troquei apenas sujeitos

Minha cabeça está congestionada

A aflição é inevitável

O que virá agora? O que esperar?

Futuro dá medo

Sim, o medo se faz presente

Me deixa confusa

Queria adivinhar o futuro

Saber minha sorte todos os dias

Aliás, sorte, será que tenho?

Que aflição

(22/06/2009)

Publicado por: revictal | 18/06/2009

Eu sou In

 Eu sou In, de Renata Victal

 Inigualável

Inimaginável

Inverossímel

Incomparável

Incompreensível

 (19/06/2009)

Publicado por: revictal | 18/06/2009

Beijo

Beijo, de Renata Victal

 Seu beijo é elástico

É como o tempo

Breve como um suspiro

 Seu beijo me tira o ar

Me deixa tonta

Fico louca

Me perco em seus longos braços

 Seu beijo me arrasta

Me leva

Me tira daqui

 Seu beijo…

 (18/06/2008)

Publicado por: revictal | 18/06/2009

Eu quero

Eu quero, de Renata Victal 

Quero novos sonhos

Leves

Coloridos

Grandiosos

 Quero novos amigos

Breves

Divertidos

Amorosos

 Quero muitas viagens

Quero muitos amores

Quero sem dores

Quero sabores

Eu quero

(junho/2009)

Publicado por: revictal | 18/06/2009

Mudar

Mudar, de Renata Victal

 Meu amor não me quer mais

Me trocou

Como uma roupa suja, me largou no chão

Achou outra

Pensa que esta lhe veste melhor

Fazer o que?

Chorar?

Espernear?

Surtar?

Nada disso! Eu vou é viver!

Viver os dias nublados

Viver até mesmo os dias amargos

Viver, apenas viver

To com sede

To com sono

To cansada

Mas é preciso viver

É preciso

(agosto de 2006)

Publicado por: revictal | 18/06/2009

Amor de 1,90 m

Amor de 1,90 m, de Renata Victal

 Uma fila, um olhar

Um gole d´ água, um beijo

Um aperto, um cheiro

Um abraço, um amor

Presente fora de hora

Surpresa mais que na hora

Felicidade ímpar

Ter a ti como par

(18/06/2009)

Publicado por: revictal | 18/06/2009

Cansaço

Cansaço , de Bianca Senna

O que era pra ser triste

Lágrima

Solidão

É cansaço

O que era pra ser desânimo

Desespero

Tormento

É cansaço 

Por ter o sol em Câncer

E o ascendente em Áries

Por ser morena

Por ser mulher

Cansa ter o mesmo nome

A mesma casa

A mesma pele

A mesma roupa 

Cansa viver num mundo

Tão demente

Cansa demais

Demasiadamente

Cansa, cansa, cansa, cansa…

Repetir que é cansaço

E não saber como me livrar dele 

(22 de fevereiro de 2003)

Publicado por: revictal | 18/06/2009

O POEMA DO SEMELHANTE

O POEMA DO SEMELHANTE  , de Elisa Lucinda

O Deus da parecença

que nos costura em igualdade

que nos papel-carboniza

em sentimento

que nos pluraliza

que nos banaliza

por baixo e por dentro,

foi este Deus que deu

destino aos meus versos, 

Foi Ele quem arrancou deles

a roupa de indivíduo

e deu-lhes outra de indivíduo

ainda maior, embora mais justa. 

Me assusta e acalma

ser portadora de várias almas

de um só som comum eco

ser reverberante

espelho, semelhante

ser a boca

ser a dona da palavra sem dono

de tanto dono que tem. 

Esse Deus sabe que alguém é apenas

o singular da palavra multidão

É mundão

todo mundo beija

todo mundo almeja

todo mundo deseja

todo mundo chora

alguns por dentro

alguns por fora

alguém sempre chega

alguém sempre demora. 

O Deus que cuida do

não-desperdício dos poetas

deu-me essa festa

de similitude

bateu-me no peito do meu amigo

encostou-me a ele

em atitude de verso beijo e umbigos,

extirpou de mim o exclusivo:

a solidão da bravura

a solidão do medo

a solidão da usura

a solidão da coragem

a solidão da bobagem

a solidão da virtude

a solidão da viagem

a solidão do erro

a solidão do sexo

a solidão do zelo

a solidão do nexo. 

O Deus soprador de carmas

deu de eu ser parecida

Aparecida

santa

puta

criança

deu de me fazer

diferente

pra que eu provasse

da alegria

de ser igual a toda gente 

Esse Deus deu coletivo

ao meu particular

sem eu nem reclamar

Foi Ele, o Deus da par-essência

O Deus da essência par. 

Não fosse a inteligência

da semelhança

seria só o meu amor

seria só a minha dor

bobinha e sem bonança

seria sozinha minha esperança

Publicado por: revictal | 18/06/2009

Martha

Eis um belo poema de Martha Medeiros:

eu te amo, mas quero viver sozinha

eu não te amo, mas preciso dormir com alguém

eu te amo, mas sonho em ter outros homens

eu não te amo, mas quero ter um filho

eu te amo, mas não posso prometer nada

eu não te amo, mas prefiro jantar acompanhada

eu te amo, mas preciso fazer uma viagem

eu não te amo, mas me cobram uma companhia

eu te amo, mas não sei amar

eu não te amo, mas queria 
 

Publicado por: revictal | 17/06/2009

Para além do bem e do mal,

Para além do bem e do mal, de Pedro Ivo Rogedo

 Aceso, apagado, aceso, apagado
Intermitente
Estado do meio que não se sustenta
Aceso, apagado, aceso, apagado
Bing, bing, bing

Repetições anacrônicas
de versos que não mais são atuais
Atualizados à exaustão
Então, sendo assim,
volta ao início

Pax
Pax
Libera me Domine, de morte aeterna, in die illa tremenda
(quando coeli, movendi sunt et terra)
Cantou-se uma vez
Numa língua morta
Para os mortos
Pelos mortos

Aceso, apagado, aceso, apagado
preso num mar de ignorância
causada de forma retroativa
Ativa para algumas coisas
Relativa para outras

Aceso, apagado, aceso, apagado
Intermitente,
É o estado do meio que não se sustenta
E que vá ao inferno Aristóteles
E apenas sobre seu tratado sobre a Comédia
Que, da Poética, é exatamente aquilo que não sobrou

Aceso, apagado, apagado, apagado
Outrora intermitente
Estado do meio que agora deve desaparecer
Requiem, requiem, requiem

Quero fazer contigo o que a primavera faz com as cerejeiras, de Natalia von Korsch

Pediram-me um poema, pensei em cerejas

Naquelas que derretem na boca

que enfeitam os drinks

que me lembram você

o gosto que não me desgosta

de tua cereja em meus lábios

clamando por mim

rogando a ti

me lambe, me chupe, me coma

clamando, rogando, chupando

penso em você

mudei o pronome, e daí?

você mudou de mim

para ela, para ele

quem sabe?

só sei que eu não sei mais de ti

e sua cereja, vai bem?

Publicado por: revictal | 17/06/2009

Ao Peso Dele

Ao Peso Dele, de Bianca Senna

 Sinto em mim

O que de tão vazio

Parece invisível

O que de tão leve

Parece algodão

O que de tão pequeno

Parece um grão

O que de tão intenso

Parece um vulcão 

Nasceu pra ser batida

E vive no silêncio

Nasceu pra ser inteiro

E vive pela metade

Nasceu vermelho

E vive preto

No escuro

Do meu interior

 E mesmo assim

Eu o sinto

Mesmo não me servindo 

(7 de julho de 2003)

Publicado por: revictal | 17/06/2009

Saudade

Saudade, Renata Victal

E foi assim, quando ela menos esperava o telefone tocou.
A hora era a mais improvável.
Cedo, para ele. Madrugada, para ela.
Rotinas diferentes. Vidas diferentes.
Separadas, mas confusas.
Ambas.
Apesar do tempo, o sofrimento ainda podia ser sentido por ela.
De forma discreta, é verdade, quase que imperceptível.
Até que a ligação, inesperada trouxe à tona.
O que? Tudo!
Mas tudo o que?
Medo, amor, raiva, angústia, saudade.
Saudade do que?
Dos bons e dos maus momentos.
Da voz
Do abraço
Do beijo
Do conforto
Do aperto no peito.
Saudade do tempo que ficou pra trás… feliz.
Saudade dos sonhos desfeitos
Saudade do que não foi vivido
Saudade…. apenas saudade

Publicado por: revictal | 17/06/2009

Angústia

Angústia, Renata Victal

Dois meses… lá se foram dois meses. Nem vi.
Passou rápido, é verdade, mas não foi indolor.
O que o tempo trouxe?
Gostaria de dizer que foi serenidade, mas não posso mentir.
O tempo trouxe angústia:
A angústia da dúvida
A angústia do que poderia ter sido, mas não foi
A angustia pelo nada… pelo tudo
Gostaria de desejar não sonhar mais… jamais
Quem sabe assim seria mais feliz
Mas não dá, eu sei
É preciso encarar os fatos, os malfadados fatos
Encarar o amadurecimento, mesmo que seja a fórceps
Porque o fato é que não dava mais
Pra nenhum dos dois
Nem pra mim, nem pra ele
Fomos ao limite
Ou melhor, ultrapassamos o limite
Vivemos o incompreensível
O sempre contestado. Por todos
Vivemos de forma intensa uma paixão segura
Segura, mas apenas dentro do ninho
Nas quatro paredes
Longe de tudo
Longe do mundo
Vivemos… vivemos…. na redoma do meu quarto
Mas vivemos…

Publicado por: revictal | 17/06/2009

O Velho

 

O Velho, de Chico Buarque

O velho sem conselhos

De joelhos
De partida
Carrega com certeza

Todo o peso

Da sua vida
Então eu lhe pergunto pelo amor

A vida inteira, diz que se guardou
Do carnaval, da brincadeira

Que ele não brincou

Me diga agora
O que é que eu digo ao povo

O que é que tem de novo

Pra deixar
Nada
Só a caminhada
Longa, pra nenhum lugar

O velho de partida
Deixa a vida
Sem saudades
Sem dívidas, sem saldo

Sem rival

Ou amizade
Então eu lhe pergunto pelo amor

Ele me diz que sempre se escondeu

Não se comprometeu

Nem nunca se entregou

E diga agora

O que é que eu digo ao povo

O que é que tem de novo

Pra deixar
Nada
E eu vejo a triste estrada
Onde um dia eu vou parar

O velho vai-se agora

Vai-se embora

Sem bagagem

Não se sabe pra que veio

Foi passeio

Foi Passagem

Então eu lhe pergunto pelo amor

Ele me é franco

Mostra um verso manco

De um caderno em branco

Que já se fechou

Me diga agora

O que é que eu digo ao povo

O que é que tem de novo

Pra deixar

Não

Foi tudo escrito em vão
E eu lhe peço perdão
Mas não vou lastimar

Publicado por: revictal | 17/06/2009

Divagando

Outra do amigo Leonardo Sales: divagando

DIVAGAR DEVAGAR

DEVAGAR DIVAGAR

DEVAGARDIVAGAR

 DE VAGAR

DE

VA

GAR

Publicado por: revictal | 17/06/2009

dra mim – pra mim

E eis que o blog já recebeu uma colaboração. Esta poesia é do leitor e amigo Leonardo Sales. Aproveite !

dra mim – pra mim

Uma lança enferrujada atravessa minhas têmporas.

A dor é tão insuportável que não começo a sangrar

Sinais de trânsito se misturam aos rostos medonhos e disformes à minha volta

Sirene, sirene… chove com força lá fora

 

O relógio da catedral badala seis horas

É noite, é frio

Meu vazio oco dói quando penso

Que estou esvaindo pelo tempo

 

É tão sufocante que não consigo fechar os olhos

E esperar o tempo passar

É estar preso em uma cela sem livro

Sem vidro pra me cortar

 

Começo a girar e me vejo assando

Grelhado para meia dúzia de gatos pingados

Que pingam e respingam na bacia de bronze

Um barulho que reverbera

Um absurdo

Publicado por: revictal | 17/06/2009

A esperança

 

A esperança, de Augusto dos Anjos

A Esperança não murcha, ela não cansa,
Também como ela não sucumbe a Crença.
Vão-se sonhos nas asas da Descrença,
Voltam sonhos nas asas da Esperança.

Muita gente infeliz assim não pensa;
No entanto o mundo é uma ilusão completa,
E não é a Esperança por sentença
Este laço que ao mundo nos manieta?

Mocidade, portanto, ergue o teu grito,
Sirva-te a crença de fanal bendito,
Salve-te a glória no futuro – avança!

E eu, que vivo atrelado ao desalento,
Também espero o fim do meu tormento,
Na voz da morte a me bradar: descansa!

Publicado por: revictal | 17/06/2009

Casa Poema

Elisa Lucinda inaugurou, em Botafogo, a Casa Poema, um espaço com workshops de poesia destinados a atores, poetas, escritores, professores e profissionais liberais.  A casa fica na Rua Paulino Fernandes 15 e oferece cursos, uma biblioteca, um café, um pequeno teatro e uma área de convivência ao ar livre.  Muito bacana né. Ainda não conheci. Tá aí um programa para esta semana.

Não resisti e liguei para saber dos cursos. Eles são livres, para qualquer idade. As aulas são semanais e é possível escolher entre segunda-feira, das 20h às 22h, ou quarta-feira, das 10h às 12h. A matrícula custa R$ 30 e a mensalidade R$ 220 (salgado, eu sei). Os interessados devem ligar para 2286-5976.

Publicado por: revictal | 17/06/2009

Da chegada do amor

Da chegada do amor, de Elisa Lucinda

Sempre quis um amor
que falasse
que soubesse o que sentisse.

Sempre quis uma amor que elaborasse
Que quando dormisse
ressonasse confiança
no sopro do sono
e trouxesse beijo
no clarão da amanhecice.

Sempre quis um amor
que coubesse no que me disse.

Sempre quis uma meninice
entre menino e senhor
uma cachorrice
onde tanto pudesse a sem-vergonhice
do macho
quanto a sabedoria do sabedor.

Sempre quis um amor cujo
BOM DIA!
morasse na eternidade de encadear os tempos:
passado presente futuro
coisa da mesma embocadura
sabor da mesma golada.

Sempre quis um amor de goleadas
cuja rede complexa
do pano de fundo dos seres
não assustasse.

Sempre quis um amor
que não se incomodasse
quando a poesia da cama me levasse.

Sempre quis uma amor
que não se chateasse
diante das diferenças.

Agora, diante da encomenda
metade de mim rasga afoita
o embrulho
e a outra metade é o
futuro de saber o segredo
que enrola o laço,
é observar
o desenho
do invólucro e compará-lo
com a calma da alma
o seu conteúdo.

Contudo
sempre quis um amor
que me coubesse futuro
e me alternasse em menina e adulto
que ora eu fosse o fácil, o sério
e ora um doce mistério
que ora eu fosse medo-asneira
e ora eu fosse brincadeira
ultra-sonografia do furor,
sempre quis um amor
que sem tensa-corrida-de ocorresse.

Sempre quis um amor
que acontecesse
sem esforço
sem medo da inspiração
por ele acabar.

Sempre quis um amor
de abafar,
(não o caso)
mas cuja demora de ocaso
estivesse imensamente
nas nossas mãos.

Sem senãos.

Sempre quis um amor
com definição de quero
sem o lero-lero da falsa sedução.

Eu sempre disse não
à constituição dos séculos
que diz que o “garantido” amor
é a sua negação.

Sempre quis um amor
que gozasse
e que pouco antes
de chegar a esse céu
se anunciasse.

Sempre quis um amor
que vivesse a felicidade
sem reclamar dela ou disso.

Sempre quis um amor não omisso
e que suas estórias me contasse.

Ah, eu sempre quis uma amor que amasse.

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